A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado (CSPCCO) da Câmara dos Deputados avançou de maneira relevante em uma pauta considerada estratégica para o setor de armas e tiro no Brasil. O colegiado aprovou o parecer favorável ao Projeto de Lei nº 5.427/2025, proposta que altera dispositivos do Estatuto do Desarmamento (Lei nº 10.826/2003) com o objetivo de ampliar, de forma objetiva, o direito ao porte de arma de fogo para categorias específicas diretamente ligadas ao mercado de tiro esportivo e ao comércio de armamentos.
Para profissionais que atuam diretamente nesse segmento, a medida é interpretada como uma correção necessária de uma lacuna existente na legislação vigente. Atualmente, mesmo indivíduos responsáveis pela guarda, transporte e comercialização de armas e munições — atividades que, por sua própria natureza, envolvem alto grau de risco — dependem da comprovação de “efetiva necessidade” junto à Polícia Federal para obtenção do porte. Esse critério, por ser subjetivo, muitas vezes gera insegurança jurídica e decisões inconsistentes, deixando esses profissionais em situação de vulnerabilidade, ainda que exerçam funções sensíveis e potencialmente perigosas.
O projeto de lei é de autoria do deputado Sargento Gonçalves (PL-RN) e foi elaborado com foco em promover uma alteração pontual e precisa no Estatuto do Desarmamento. A proposta consiste em incluir um novo inciso no artigo 6º da legislação, que trata das categorias que possuem direito ao porte de arma de fogo por força de lei. Com a mudança, passariam a ser expressamente contemplados os diretores de clubes de tiro desportivo, bem como os proprietários ou responsáveis legais por estabelecimentos que comercializam armas de fogo, munições e acessórios. Dessa forma, o projeto reconhece formalmente o risco inerente à atividade exercida por esses profissionais.
A tramitação do projeto dentro da CSPCCO seguiu o rito regimental, com etapas bem definidas. Após sua apresentação no final de 2025, o texto foi encaminhado para análise da comissão, composta majoritariamente por parlamentares com histórico nas forças de segurança pública. A relatoria ficou a cargo do deputado Junio Amaral (PL-MG), que conduziu a análise sob aspectos técnicos, jurídicos e operacionais. Em seu parecer, o relator destacou que a legislação atual não reflete a realidade prática vivida por esses profissionais, defendendo que a concessão do porte nesses casos não seria um privilégio, mas sim uma medida de proteção compatível com as responsabilidades assumidas.
No relatório apresentado, Junio Amaral argumentou que os indivíduos contemplados pelo projeto já possuem, em regra, treinamento adequado e familiaridade com o manejo seguro de armas de fogo, além de estarem inseridos em atividades reguladas pelo Estado. Ele ressaltou que o porte de arma permitiria não apenas a defesa da integridade física desses profissionais, mas também a proteção de seus estabelecimentos e do patrimônio controlado sob sua responsabilidade.
A votação final na comissão ocorreu em março de 2026, durante reunião deliberativa ordinária. O parecer do relator foi aprovado por maioria, consolidando a primeira vitória relevante do projeto no Congresso Nacional e permitindo sua continuidade no processo legislativo.
Apesar desse avanço, o PL 5.427/2025 ainda precisa cumprir etapas importantes antes de eventualmente se tornar lei. O projeto tramita em regime de apreciação conclusiva, o que significa que não necessariamente precisará ser votado no plenário da Câmara, salvo em caso de recurso específico. O próximo passo é a análise pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), responsável por avaliar a constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa da proposta.
Caso receba parecer favorável também na CCJ, o projeto poderá ser encaminhado diretamente ao Senado Federal, onde passará por nova rodada de discussão e votação. Somente após aprovação nas duas Casas do Congresso e sanção presidencial é que a medida poderá entrar em vigor.
Em termos práticos, a proposta busca alinhar a legislação à realidade de profissionais que lidam diariamente com ativos de alto valor e potencial de risco, como armas e munições. O reconhecimento legal do direito ao porte, nesses casos, é defendido por seus apoiadores como uma forma de garantir segurança pessoal e operacional, além de reduzir a burocracia associada à comprovação de necessidade.
Dessa forma, o avanço do projeto na Comissão de Segurança Pública representa um marco importante dentro do debate sobre regulação, segurança e funcionamento do setor de armas no Brasil. A tramitação seguirá sendo acompanhada de perto, uma vez que o tema envolve aspectos jurídicos, operacionais e sociais relevantes, com impacto direto tanto para os profissionais do setor quanto para a política de controle de armamentos no país.
A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado (CSPCCO) da Câmara dos Deputados avançou de maneira relevante em uma pauta considerada estratégica para o setor de armas e tiro no Brasil. O colegiado aprovou o parecer favorável ao Projeto de Lei nº 5.427/2025, proposta que altera dispositivos do Estatuto do Desarmamento (Lei nº…





